5 de junho de 2018

Uma outra forma de ver a liberdade.......


Na neurose se sofre pelo o que não aconteceu, rotina de defesa expressa na ansiedade de um "desprazer que está por vir" super inflacionado. No entanto, há um momento em que a consciência precisa se angustiar. Um estágio que marque o desabamento de imagens de um mundo, e o erguimento de outro, que permita novas ações e desejos. Freud nos ensinou que nossa primeira angústia fundante é a ausência da mãe. E dialogaremos com esse desamparo, revisitado em novos fantasmas, durante toda a vida.  Porque o neurótico precisa constituir substitutos ("outras mães") que garantam sua integridade narcísica, atenda suas demandas de amor e, sobretudo, a fantasia de ser "único e maravilhoso".  Curioso sublinhar que é essa dinâmica que o faz escravo da procura de um "Outro" que o diga o que fazer e, principalmente, que confirme que o que ele fez é incrível, alucinando o primitivo estágio de perfeição do "bebê majestade" que um dia foi. É essa a posição neurótica que o estrutura servo a um grande Outro (pessoas ou um outro simbolicamente constituído) suplicando demandas imaginárias de "o que devo fazer" para depois cobrar ansiosamente a confirmação. Por isso é preciso cair dessa posição, "desabar desse mundo".  De ter a angústia como porta de entrada e na saída a liberdade de não estar submetida a algo  imaginário que o escraviza.

10 de maio de 2018

Sobreviver ao pai. É preciso falar de culpa e mal-estar.

16 de março de 2018

As grandes decisões da vida.....




Certa vez um jovem procurou Freud com uma angustiante dúvida: seguir sua carreira na psicanálise, permanecendo em Viena para se especializar, ou voltar para sua cidade no interior da Itália, casar, ter filhos, etc. Disse, Freud, o me parece brilhante para sublinhar o que é o inconsciente: "Para as questões banais do cotidiano, como por exemplo, para onde viajar nas férias, o que comer no jantar e etc., avalie os prós e contras, e toma melhor decisão lógica e consciente. Mas para as questões fundamentais da vida deixe a decisão livre ao inconsciente, porque a melhor decisão é a que vem do "outro em você" (inconsciente), e não a do eu (ego) marcado de defesas e obstáculos impostas por suas instâncias julgadoras (super eu)". E, mais, assinaria embaixo que se não dermos ouvidos a esse "outro em nós", a decisão será necessariamente equivocada ou, no mínimo, cobrará enorme preço psíquico de não ter feito "aquilo". Ai que está! O inconsciente raciocina pelas nossas costas, e por isso fazemos análise. Porque uma boa trajetória analítica serve para se apropriar dessa lógica e evitar ser ingênuo em relação às nossas escolhas. E quando você começa a se tornar responsável pelas escolhas que você fez e, principalmente, pelas que não sabe que fez, deixa de ser o inocente diante das consequências e tem condições de inventar algo a partir disso. Poderia resumir a neurose como uma forma de sempre "fracassar do mesma jeito e da mesma maneira.". E poder patinar de outras maneiras é um tremendo avanço pro psiquismo. Quando você incorpora sua divisão subjetiva, e percebe a lógica dessa constância (desejo inconsciente), e sabe se reconhecer como produto dos seus atos, não precisa mais de analista. Como diria Freud, sai do estágio dos "sofrimentos paralisantes" para viver os infortúnios normais da vida!

21 de dezembro de 2017

A doença da moda?




A OMS fala que 20% da população mundial tem depressão. Não importa onde, seja na chuvosa Londres, no alegre Rio de Janeiro e na fria Moscou. Se trata de uma doença de época? Nāo sabemos e é preciso cuidado com diagnósticos apressados e rótulos. Mas é tbem um lugar  na economia mental de nosso tempo. Vimos com Freud que a tensão “permitido x proibido” gerou no século passado um tipo de sofrimento, do sujeito bloquear seus desejos pela rigidez da ordem social. Ou seja, “controlar” as forças pulsionais e desejos produzia sofrimento.  E o sofrimento se move com as transformações culturais, ele se instaura hoje não mais no proibido, mas nesse ideal “empresarial de si” de maximização de intensidades (posso tudo, tenho que fazer tudo!). Diria que é dai que fala a tal depressão,  de um “cansaço de si”, da crueldade de um sistema sem limites, que se você fracassou a culpa é exclusivamente sua. E faz pensar, porque é uma das formas mais astutas de submissão social!