5 de dezembro de 2014

Sobre Tyson, astros do Rock e Lacan.....


Não gosto uma vírgula do tal MMA, mas lembro que quando jovenzinho vibrava com a ferocidade incomparável de Mike Tyson em suas lutas.
Por acaso ontem assisti um documentário muito interessante sobre sua vida.
O roteiro é o de sempre. A infância pobre e violenta nas ruas do Brooklyn, um brutal complexo de inferioridade oriundo de uma sociedade desigual e racista, e a raríssima chance do destino, no caso dele o boxe. Tyson fora o campeão dos pesos pesados mais novo da história e, muito cedo, teve “tudo”: dinheiro, fama, estrelato, mulheres, o reconhecimento dos brancos, etc.
Mas de sua subida meteórica veio o tombo equivalente: prisão, divórcio, derrotas no ringue, problemas com drogas, pobreza, etc. Faço um paralelo aqui com várias biografias de astros do Rock and Roll (Eric Clapton, Keith Richards, Jimi Hendrix, Kurt Cobain, etc) que li. Todos, absolutamente todos, conseguiram "tudo" muito cedo. E isso, paradoxalmente, se apresenta como enorme dificuldade pro funcionamento psíquico. Ter, muito jovem, o mundo aos seus pés....   
Como diria Lacan, toda satisfação já carrega uma falta em si...

4 de dezembro de 2014

Você acredita que você é o mesmo ao longo do dia?


Um fato corriqueiro: uma mulher ajeitando a saia e retocando o batom em frente ao espelho, no esforço, naturalmente vaidoso, da imagem ideal. Ai na rua, sentindo-se bem e linda escuta uma grosseria que perturba àquela imagem. Que mudou? Nada. A não ser a intervenção do outro. O mal educado fora outro espelho.  Talvez nossa ideia de personalidade seja utópica. O ideal de unidade é uma construção ilusória na medida que não somos uma porção humana íntegra e permanente que define o essencial de nós. Estamos permanentemente divididos entre o que eu penso e o que o outro me mostra que eu penso. Ou seja, o EU seria um precipitado de identificações: textos, interações, imagens e emoções que pegamos ao longo da vida, num movimento de alienação e formação constante, dos traços que exportamos e importamos do outro.
Lembrei da biografia de John Lennon: "Aos 15 anos eu imitava Elvis Presley em tudo (...) tanto imitei Elvis Presley que me transformei em John Lennon".
O EU é produto de escolhas que muitas vezes não se reconhecem como escolhas!