4 de junho de 2014

A reflexão proibida....


O intelectual Zygmunt Bauman, conhecido pelas críticas à "liquidez" do mundo (tudo é fluído e passageiro), e à estrutura de rede que dominou nossas almas - nos (des) conectamos das coisas e das pessoas com a facilidade que saímos ou entramos no Facebook, deixa boas pistas sobre problemática instaurada nas nossas interações, mesmo as mais elementares.
Não recorrerei a Lacan, e a temporalidade psicanalítica (cronos, mitos, epus) simplificando a conclusão que percebermos nosso tempo, na maioria das vezes, como um fluxo excessivamente veloz que devora
o nosso poder de reflexão.
Como exemplo, escutei de um professor experiente que a maioria dos universitários de hoje não têm concentração disponível para encarar um texto denso de 30 minutos. O fato parece bobo, mas sugere a impaciência generalizada, fruto da multiplicação de estímulos (torpedos, mensagens, e-mails, etc), que desemboca numa ânsia desmedida por respostas rápidas.
Tal ambiente contribui para gerar outro problema, também de grande importância: nossa aversão ao que é complexo. É simples formular, se não tenho tempo pra refletir, dificilmente alcançarei interpretações mais profundas. Ou, dito de outra forma, terei dificuldade para compreender os fatos da vida.
Deriva daí dois sensíveis prejuízos: o desincentivo ao coletivo - já que não entendo a mim e ao outro - e uma visão simplificada de tudo.