24 de março de 2017

Narcisimo: tão velho quanto o primeiro ser humano.

 
Em 1914, Freud escreve "Sobre o Narcisismo: uma introdução", um texto importantíssimo para a evolução de sua teoria. Tal termo, aprisionado na linguagem popular corrente, sugere uma qualificação negativa do sujeito, excessivamente "enamorado" de sua própria imagem. Ainda mais em tempos de exagerado exibicionismo nas redes sociais!
E verdade, Freud não fala nada disso. Ele "despatologiza" o conceito, como aliás é o mais fantástico em todo seu projeto: revelar o normal, a partir do estudo que é considerado patológico. Enfim, a utilização deste conceito revolucionou sua teoria porque produziu novos desdobramentos no desenho do aparelho psíquico. E formulou a ideia como "complemento libidinal da pulsão de auto-conservação". "Descomplicando", o complemento aí é no sentido de expressar a "narcisização do sujeito humano” como via fundamental de toda possibilidade subjetiva; o ato de adquirir um corpo capaz de acomodar um "Eu", que uma vez constituído, sempre será ameaçado e por isso veículo de constante "investimento' para sua manutenção/proteção. Ou seja, com Freud temos que o "Eu" (ego) é desenvolvido, ele não "cai do céu", do nada. E haverá sempre uma modulação de doses de libido distribuídas para investir nesse "Eu" (ego) ou/e em objetos (outros), que pode contribuir para a definição de algumas estruturas clínicas  Exemplos? Alguém muito apaixonado: rebaixa seu amor próprio, e "investe" tudo no objeto (pessoa amada). Um sujeito com uma terrível dor dente. Tudo fica secundário, e todo investimento no Eu (ego) para enfrentar a dor. Ou seja, o narcisismo é tão velho quanto o primeiro ser humano. Não é sensacional?

20 de março de 2017

De repente, Outono.














De repente, outono.
O calor cede.
Os corpos se escondem.
As cores se recolhem.
De repente, outono.
A euforia cessa.
O ano começa.
A vida endereça.
De repente, outono.
As folhas no chão.
Tempo, céu azul.
Vinho e Blues.