26 de maio de 2017

A palavra que marca o corpo......sobre pais e filhos!


 
Não é necessário fazer análise para entender o poder da linguagem (simbólico) no imaginário, e sua repercussão no corpo (sintomas). Gosto de dar o seguinte exemplo prosaico: imagine uma criança vigiada pelos pais em um ambiente público. Com a possibilidade de explorar um mundo diferente dos seus domínios, a criança se aventura e testa o que lhe é permitido fazer. E, sabemos, há pais mais ou menos permissivos, servindo como autoridade (a lei) para intermediar os limites dos filhos. Ou seja, há a experiência infantil, sempre útil, e uma intermediação dos pais, legisladores dos atos das crianças. O fato é que se essa mesma criança testar a autoridade dos pais, como por exemplo uma restrição de "não trepar na cadeira", e se der mal e cair, sua resposta afetiva (chorar ou não) e a intensidade da dor estarão proporcionalmente vinculados à reação dos pais. Numa escala oposta, eles podem dizer de um agressivo "Bem-feito, eu avisei sua peste!" e um "Não foi nada meu anjo, vai passar", cujo resultado serão sentimentos e dores de intensidade bastante diferentes. Daí não é difícil supor como as palavras "atravessam" e "marcam" o corpo", numa multiplicidade de exemplos que acontecem também na vida adulta.
E é importante imaginar as consequências devastadoras para crianças cujos pais não cumpram sua função simbólica de estabelecer uma  legislação que não seja incoerente e vacilante (uma hora pode, outra hora não pode!?).

22 de maio de 2017

O "corte" do simbólico....

5 de maio de 2017

É preciso dar nome ao Tsunami interior (angústia).....



Lacan ao longo de sua jornada psicanalítica introduz o ternário (Real - Simbólico - Imaginário) no campo analítico e ao fim o identifica a um nó borro-meano de três elos.  É um assunto bastante denso, mas basicamente se trata de três registros psíquicos na constituição o sujeito. O registro do simbólico que é o lugar da linguagem. O imaginário, da relação dual com a imagem especular eu/outro - o sujeito só consegue se constituir diante da confirmação dada pelo olhar "demandante" do outro. E o real, tudo o que não pôde ser simbolizado. Uma boa metáfora para explicar essa articulação seria supor uma situação aterrorizante de um desastre natural. O sujeito se encontra em uma praia quando aparece um surpreendente Tsunami. Ele sobrevive! A experiência (imaginária) estará guardada e inominada. E exatamente quanto ele constitui a narrativa que enlaça ele na experiência (fantasia/invenção) é que o horror (real) perde a potência.
Em uma escala corriqueira, não são assim os fatos do dia-a-dia? Maledicências, pavores, frustrações, invejas, medos, dissabores, ameaças de toda ordem e etc. A angústia (o real) que convoca o sujeito a elaborar e "dizer sobre" (o simbólico) "corta" o que tinha sido apreendido (imaginário), dando outros significados, podendo remover sintomas e vencer fantasmas do sujeito. Bom exemplo também é o quadro "O grito".  Ao pintá-lo, Edvard Munch pôde expressar (simbólico) algum processo de angústia (real) através de um grito que mesmo sem som é possível percebê-lo. Com certeza ele se sentiu muito melhor depois de fazê-lo!