30 de março de 2011

Sobre comer...



Aprendi desde cedo.
Que comer é sagrado.
Por isso me proibo.
O mau gosto estético.
De praças de alimentação.
E economias tolas.
Uns gastam com roupas.
Outros com carros
Games, baladas.
E micaretas em Salvador.
Eu invisto em pratos.
Em prazeres inenarráveis.
Das cozinhas do mundo.
É como a arte pintada.
Custam pouco as tintas.
Mas muito os quadros.

29 de março de 2011

Choque de tempos 6....

Tristes tempos.
De otimizar tudo.
Sobretudo relações.
E a conexão às pessoas.
O utilitarismo venceu.
E com ele.
As afetividades simuladas.
Mais e mais.
Conhece-se gente.
Sem que signifique.
Permanências.
Tudo é "network".
E pragmatismo recíproco.
Confraternizar, que era.
"Celebrar entre fraternos".
Virou festinha de empresa.
Tristes tempos...

Sobre BBB's...

Vi que é o fim do BBB.
Vitória! Dessa vez.
Não perdi nem 15 minutos.
Com esse voyeurismo digital.
E fogi com tanto afinco.
Que sequer sei os nomes.
Minto.
Só uma tal de Talula.
Por razões óbvias.

Adeus, Zé....

E o Zé partiu.
Pra descanso justo.
Após tanta luta.
Obstinação radical à vida.
Disse, uma vez:
"Não temo a morte.
E sim a desonra".
Genial, genial.
Bravo guerreiro.
Sacava.
Com rara inteligência.
Que ele e a morte.
Jamais coexistirão.

28 de março de 2011

Sobre xaropes...

A felicidade é.
Necessariamente descontínua.
Vai e vem.
Como o prazer do jornal.
Do balançar na rede.
Do gelo no copo.
Da nova ou velha paixão.
O fato é que essa convicção.
Desmonta 99%.
De toda essa xaropada da auto-ajuda.

Dor elegante...

Uma época aí.
Depressão virou moda.
Aderia-se compulsivamente.
A Prozacs e afins.
Pra combater o “vazio da alma”.
E o “lado orgânico” da dor.
Provou-se, adiante.
Ser uma onda “pé-de-barro”
O lance era enriquecer.
A indústria farmacêutica.
Em detrimento de caminho mais árduo:
O saber psicanalítico.
Filosófico e cultural.
Aliás, como abrir mão do luto?
Dos momentos barra-pesada?
Do auto-confronto?
Seríamos o que somos.
Se só houvesse confete?

Carrancho...



Se na vida real, necas.
No cinema, sigo me apaixonando.
Me vem essa Martina Gusman.
Meu deus!
Carrancho é um filmaço.
Como é vibrante.
La buena onda.
Do cinema argentino.
Trama fascinante.
Filme de ação com conteúdo.
Sem utilizar o besteirol.
Do cine hollywoodiano.
Vale conferir!

26 de março de 2011

Homogeinização heterogênea....

Sábado e Domingo.
Estive em BH.
Segunda, terça e quarta.
Em Brasília.
Quinta e sexta, Rio.
E agora, Sampa.
Cidades diferentes.
Mas com muito mais em comum.
É a "homogeinização heterogênea".
Como cravou o grande Milton Santos.
Tudo é igual, igual.
Com detalhes regionais.
Eis a era.
Da grande aldeia global!

23 de março de 2011

Sobre complexidades....

Mentem, os que atiram.
Aos subterrâneos da mente.
A culpa por doenças.
Pela falta de vontade.
Pela desolação.
Mentem, os que rogam ao homem.
O fim evolutivo.
A supremacia orgânica.
O produto divinal.
Mentem, os que delegam a deus.
Os momentâneo de êxito.
O infortúnio alheio.
O acaso dos dados.
Os rótulos.
Assim sempre serão:
Os salva-vidas da complexidade.

22 de março de 2011

Sobre mulheres e fofocas...

Quando posso, fujo.
De almoços corporativos.
Prefiro ler.
Trocar de assunto.
De idéias.
E arejar a cabeça.
Conheço bom lugar.
Ventilado e calmo.
Dureza quando chega.
As meninas do call center.
Falam alto.
E mal da vida dos outros.
As mulheres tomarão o poder.
O mundo melhorará.
Mas precisam fofocar menos.

Choque de tempos 5...

Devorei, de novo.
O "Afeto que se encerra".
Do Francis.
Mesmo à direita.
Sobrava inteligência.
Foi preciso, sobre 64:
"A ditadura despolitizou.
A socidade brasileira.
Arruinou gerações".
Suspeito que há efeito.
Até hoje.

E daí?

É santo remédio.
Desconfiar do sucesso.
E do fracasso.
Noves fora, nada.
Tudo é muito circunstancial.
E relativo.
Ninguém é tão bom.
Ou mau assim.
Normalidade.
E altos e baixos.
Eis a obviedade.
Do curso humano.
E tenho especial problema.
Com vitórias.
Grandes, pequenas.
Olho, olho.
Olho de novo.
E me pergunto: e daí?

De repente, outono.



De repente, outono.
O calor cede.
Os corpos se escondem.
E as cores se recolhem.
De repente, outono.
A euforia cessa.
O ano começa.
E a vida se endereça.
De repente, outono.
As folhas no chão.
Tempo, estação.
Vinho e coração.

21 de março de 2011

Casas sem portas...

Um dia quero estudar.
Arquitetura de interiores.
Me fascina a idéia.
De casa sem portas.
O porquê, não sei bem.
Mas suspeito que adiante.
Haverá propostas.
De espaços mais humanizados.
Onde a privacidade.
Terá trato criativo.
E a segurança.
Desnecessária.

O tempo é bruto...



O tempo é bruto.
Desorganiza memórias.
Desbota lembranças.
Desaba esquecimentos.
Num teatro sem cor.
O tempo é bruto.
Cruza, com desatenção.
Esquinas e becos.
Calçadas e vielas.
Encruzilhadas de alguém.
O tempo é bruto.
Corre, escorre.
Trôpego, célere.
Desordenado.
O tempo é bruto.
Destrata as sombras.
Desvia ternuras.

20 de março de 2011

Sobre cidades 4....

Andei sumido.
Estou em BH, desde quinta.
Cidade diferente de tudo.
Um manancial de bares.
De lindas mulheres.
E de enorme simpatia.
Engraçado esse paradoxo.
Em Brasília.
As pessoas são fechadas.
Aqui, super gregárias.
E receptivas.
E o núcleo formador.
É o mesmo: mineiros.
Pensarei mais sobre!

16 de março de 2011

Cordas de aço...

Queria mesmo.
Ter ido ao “Zicartola”.
Lendário bar de bambas.
A vida de Cartola foi um grito.
Contra o absurdo do racismo.
E o desleixo nacional.
Glória, só na velhice.
Antes disso, lavou carro.
De riquinhos de Ipanema.
Foi contínuo de jornal.
E serviu cafezinhos.
No Ministério da Indústria.
Para não passar fome.
Pasmem, só aos 66 anos!
Gravou seu primeiro disco.
Um cara que fazia isso:

"Na madrugada iremos pra casa
Cantando..."

15 de março de 2011

Sobre Simbologias...



Enfim.
Realizei sonho antigo.
Pus uma rede.
Na varando do Ap.
Parece pouco.
Mas é muito.
Aliás, até chorei.
De ampla emoção.
Há forte simbologia.
É um objeto adorado.
De resistência.
A arranha-céus.
E a sede de pressa.
É fincar uma bandeira.
Uma estaca, uma placa.
Uma provocação estética:
"Sim, eu posso.
Estar alheio.
A absolutamente tudo!"

Sexo na MPB 6...

Zapeando coisas.
Dos Secos e Molhados.
Descobri essa pérola.
É de rolar de rir!

Isso tudo não faz sentido.
E não é meu esse baby doll.
Telma, eu não sou gay
O que falam de mim são calúnias.
Meu bem, eu parei.
Já passou.
Esses rapazes são apenas meus amigos

11 de março de 2011

Ruas da vizinhança...



Adoro essa Rua de Sampa.
Charme futebol clube!
E agora moro ao lado.

10 de março de 2011

Injeções de melanina....

Disparado.
Meu maior trauma.
É ser confundido com gringo.
Me inundo de cultura brazuca.
Reflito, há anos.
Religiosamente sobre.
(Aliás, quase só faço isso).
Derramo lágrimas sobre o samba.
Sobre singularidades regionais.
Sobre nossa viralatice.
Aí vem neguinho.
E me vê como sueco.
Fico puto!
Hei de inventarem.
Injeções de melanina!

9 de março de 2011

Sobre terreiros e paróquias...

Aliás, cabe dizer.
Algo Fabuloso.
Fui no Bexiga comemorar.
Em meio à comoção geral.
O presidente da escola.
Deu os créditos da vitória.
"A seu pai Ogun".
E ao esforço da comunidade.
Mas o mais lindo foi saber.
Que levaram o troféu pra benzer.
No terreiro do pai Francisco.
E na Paraóquia.
De Nossa Senhora Achiropita.
Há, por acaso.
Sincretismo mais lindo?
Ah, esse Brasil de emocionar.

A música venceu!



Tenho hobbie antigo.
O vício por sambas-enredo.
Os escuto há uns 25 anos.
Sei uns 100 de cor.
Mas fazia tempo.
Que não via um refrão tão lindo.
Foi de chorar a homenagem.
A João Carlos Martins.

Feliz da vida, lá vem o Bixiga!
Exemplo de comunidade.
A Música Venceu.
O dom é luz que vem de Deus.
Da emoção Vai-Vai resplandeceu.

7 de março de 2011

Carne Trêmula...

Zapeando os desfiles.
Me chocou a supremacia.
Da plástica robótica.
Da mulherada em geral.
Um manancial de corpos duros.
Masculinizados.
Que curiosamente.
As igualam a travestis.
Olha, me deu saudades.
Daquelas gostosas normais.
Que no sacolejo ds carnes.
Havia fonte de amplo tesão.

Reflexões Paulistanas 2...

Decisão acertada.
Carnaval em Sampa.
A cidade toda sua.
Quer folia, tem.
No Aenhembi, ou.
No bloco "vai quem quer".
Quer cinema, amigos.
Restaurante, trânsito bom.
Também tem.

3 de março de 2011

Reflexões Paulistanas...



Sampa te faz ter pressa.
Sabe se lá o porquê.
É botar o pé.
Ou a roda na rua.
E tudo parece correr.
Presa disso.
Presa daquilo.
Simplesmente pressa.
Tanto ao Paraíso.
Ou à Liberdade.

2 de março de 2011

Choque de tempos 4...

Teminando o Livro.
Do Mandame Satã.
Jóia rara!
Saí com essa reflexão.
A ditadura serviu.
Pra encapsular os 60 e 70.
E liquidificar tudo nos 80.
Combinou-se, singularmente.
O "no future" punk.
A irreverência new wave.
E o "foda-se, vamos se divetir!".
Que tudo explodirá na guerra fria.
Curioso que o excesso de diversão.
Gerava ressacas pessimistas.
Mas mesmo assim.
Saboreava-se a doce percepção.
"Que não estávamos sozinhos".
E hoje, hein?