19 de fevereiro de 2014

A nossa maior ficção.....


Há uma distribuição democrática de episódios a todos. Ao longa da vida temos conquistas, experiências marcantes, traumas, perdas de pessoas importantes, nascimentos, dramas afetivos, vitórias, crises, superações, etc. E há algo totalmente mágico em nisso tudo: a nossa interpretação! Como concebemos uma perda, como encaramos uma vitória temporária, que pode desancar em soberba? Em ego desmedido? Como lidamos com a separação, uma traição carnal, um coração partido, um desejo que não cede? Como enfrentamos uma doença grave? Um vício incorrigível? Uma violência do Estado, da Justiça dos homens, da sociedade? Como absorvemos um gesto edificante?  Um amor radical e obsessivo, uma nova chance? Uma ternura que teima em brotar? No fundo, estamos todo tempo interpretando nossa história.
E escrevendo, isoladamente, a ficção de nós mesmos!

7 de fevereiro de 2014

A ingovernabilidade da paixão....


Adoro esse filme "Fatal", baseado no livro Animal Agonizante, de Philiip Roth.
Sobretudo por explorar a irresistível contradição de um homem maduro, ciente de até onde
deve chegar certas circunstancias relacionais, dotado de uma rígida postura racional, que desaba
diante da inocência de uma jovem lindíssima que fica a mercê de seus desejos.
As atuações de Ben Kingsley (David Kepesh ) e Penélope Cruz (Consuela Castilo) são impecáveis.
As cenas são eróticas, tensas e poéticas. A densa beleza expressa nos cabelos negros e feições
latinas de Consuela promovem um irresistível trânsito. Ele parte da segurança de tê-la apenas como um mero objeto de desejo (como tantas outras alunas) pra se deparar com uma grande autoconfiança e intensidade emocional dela que o deixam totalmente fora de controle.
Esse tensionamento deixa o filme profundo e belo: o drama do envelhecimento e a dúvida em conviver
com uma pessoa bem mais nova. Sem dúvida, envelhecer é para os fortes.
Mas o melhor mesmo é o curso totalmente improvável do desfecho do elo entre os dois.

3 de fevereiro de 2014

Mulheres que roubam a alma dos homens.....



Tenho a seguinte a teoria que, como qualquer teoria, tem suas falhas.
Por tudo que observei na vida, a mulher cujo poder lhe permite roubar a alma dos homens conjuga três irresistíveis qualidades:
1) São indiscutivelmente belas e atraentes e, claro, a beleza está no olho de quem vê.
2) Demonstram os bons predicados maternos: força e segurança.
3) O mais raro: são misteriosas e impossuíveis. Colocam o homem numa excitante e corrosiva zona de desconforto que ele desconfia que a possui. Ou, dito de outra forma, nunca há a certeza de nada!
Não raro as mulheres, quando envolvidas, trocam (ou desconhecem) essa fantástica terceira qualidade pelo ciúme desmedido que as leva à lona.

"Ruth acatou a promessa, não tinha opção, faria o que fosse preciso pra não perdê-lo outra vez.
Ruth era posse de Ciro. E quanto mais se provava dele, mais difícil era pra Ciro, amar o que
lhe pertencia". - Trecho extraído do livro Fim, de Fernanda Torres.

Obs: Desnecessário (ou não!) dizer que isso não se aplica a relações estáveis de longo prazo.