10 de abril de 2015

O que a palavra não alcança.....


Ando obcecado nas leituras de Freud e Lacan! Pus tudo em terceiro plano e, fora isso, nada me interessa muito. Acho que o mais me fascina na Psicanálise é esse recado que há alguma que não se compreende. E esse paradoxo é muito interessante porque um método de “cura pela palavra” admite também que há alguma coisa que o sujeito não sabe dizer. E essa coisa, que ele não sabe dizer, o fará ter chance de reinventar e, sobretudo, se responsabilizar. E não haverá bispo nenhum pro qual ele poderá reclamar! Não é absolutamente libertador, instigante e subversivo?

8 de abril de 2015

O pensamento está no dedão do pé......



Freud dizia que a agressividade é um afeto primordial, forjado na busca de segurança diante do "grande outro" (o mundo externo). Nossa ideia de mal é germinada dai; está fora de nós, fora da família, fora do vilarejo, etc. Com os processos de incursão social e cultural essas ameaças são racionalizadas, contornadas, mas esse afeto primordial sempre é retomado, e tem chande de aparecer nos termos da intolerância como as que tristemente assistimos no passado e hoje. O ponto é, a agressividade nunca desaparece (aliás, se desaparecesse levaria o "amor" junto) , mas poderia ser "manuseada" para bons propósitos e, sobretudo, obedecendo padrões essenciais de convivência.  
Da mesma forma, se a racionalização serve para compreender o mundo e (con) formar o indivíduo às possibilidades, ela pode inibir e "imobilizar" o sujeito parido numa gestão de risco ultra defensiva.
Lacan certo dia brincou com essa ideia numa conferência no EUA dizendo que o pensamento se dava no "dedão do pé". Boa metáfora para dizer que o pensamento deve afetar o corpo! Deve mover o indivíduo, e não servir de escudo para excessiva aversão ao risco (falsa sensação de segurança na medida em que pagarei à frente por não reconhecer desejos) e a narcisismos invisíveis de toda ordem
(eu posso mas não faço!).