29 de julho de 2010

E por falar nisso..

E por falar nisso.
Vou ali e já volto.
Porque é preciso ver o mar...

Direito à preguiça...

Andei pensando.
Tá errado esse troço.
A aposentadoria deveria ser agora.
Dos 30 aos 45 anos.
E depois é batente até morrer.
É agora que sobra energia.
E estabilidade emocional.
Do jeito que é. Nada se pode.
Há zilhões de coisas para fazer.
E escassez total do tempo.
Senão vejamos.
Tudo é atropelado numa
esquizofrenia excludente:
Carreira profissional.
Contato com a família.
Lugares para conhecer.
Pessoas para visitar.
Festas para desfrutar.
Esportes para fazer.
Teorias para estudar.
E, fundamentalmente,
o tempo que se perde
na besta mania de adiar tudo,
e cair na armadilha de não fazer nada.
Por isso:
direito à preguiça já!

A cidade sou eu...

Sou geógrafo. Amo cidades.
Entendê-las consome 62% do meu tempo.
Tenho um método, quando virgens.
Escuta-se, primeiro, os taxistas.
Depois, é “sacar” a boemia esparramada
no tecido urbano.
É ali que se entende os grupos.
Como se tomam e formam espaços:
de convivência, de exibição de estilos.
Vi esse excelente documentário, outro dia.
(dica de uma amiga).
Conta a saga do que foi a 109 Sul.
Quadra mais efervescente de Brasília.
O tempo passou.
E a Asa Sul, de hoje, é mais sóbria.
Domingo à tarde, por exemplo, fora o
famoso “Libanus”, tudo fica timidamente vazio.
A vitalidade pulou pro Sudoeste do plano.
E curioso. Num bairro de gente de fora daqui.
Que ergue uma nova Brasília.
Ainda mais misturada.
E longe do domínio dos antigos candangos.
É fantástico!
A cidade: e o curso de sua reinvenção.
Lembrei do Caetano(de novo):
“E novos brazucas passeiam em tua secura.
E novos brazucas te podem curtir numa boa!"

28 de julho de 2010

Jamais seria...

Jamais seria político.
É muito auto-agressivo.
Todas suas convicções, mesmo que impopulares,
são engolidas em troca de votos.
Desacreditar do criador : suicídio político.
Ser radicalmente lileralizante (drogras,
casamento gay, aborto, etc.).
10 votos no máximo.
No fundo, é quase um “não eu”.
Você é o arremedo da
violência do senso comum.
Políticos são importantes, claro.
Importantíssimos, diria.
Mas é para gente do Teatro...

27 de julho de 2010

Cidades são....

Cidades são véu.
Desnudas,
guiam-nos pro melhor.
Cidades são pêrolas.
Densas, escondem
lugares-diamantes.
Cidades dão presentes:
o anonimato.
A vitória coletiva de
ser apenas "mais um".

26 de julho de 2010

Zorba e Reda Anderson...

Terminei o “O iconoclasta”, de Gregory Berns.
Denso, mas excelente. Um livraço!
Serve, sobretudo, aos que não temem o novo.
E a inquietos, incomodados, transformadores.
Aos que vêem o fracasso com desdem, em suma.
Há vários exemplos de iconoclastas:
das ciências, das artes, da política, de empresas.
Mas me chamou a atenção ”Reda Anderson”.
Uma “Maiden” de 69 anos.
Foi cobaia de um voo espacial.
Antes disso, foi à Antártica. À Mongólia de Jipe.
E mergulhou para explorar o Titanic.
(10 hs de mergulho, 3,8 km abaixo, espremida
num submergível russo de 1,6 de largura).
Disse: “Perguntarei furiosa a Deus, o que é essa
expectativa de vida de 70 anos? Há tanto ainda a fazer.”
Lembrei do Zorba, personagem literário fundamental
em minha vida, nas portas de sua despedida do mundo:
“Um homem como eu deveria viver mil anos!”.

Não me convidem...

Tenho uma lei pessoal sagrada.
Proibo-me terminantemente frequentar
praças de alimentação de shoppings.
A pena é severíssima:
Três dias de inanição.
Justificatva?
O mau gosto. É extremo:
são abomináveis, esteticamente.
E desumanas.
Os freqüentadores parecem “gados confinados”.
Em meio a um barulho insuportável.
Além, claro, da comida ser geralmente horrível.
Procuro praças abertas aqui em Brasília .
Alguém conhece?

Deveria ser lei: almoços só em piqueniques.
(Não é piada. Há milhares de parques-merenda
espalhados na Europa!).

Porque é preciso ter lado...

Já disse por aqui.
Votei em Lula em 94, 98, 2002 e 2006.
Agora é Dilma. Com toda convicção.
A preguiça intelectual, por aqui, impera.
Dizem que esse Governo é de continuidade.
É um crime interpretativo. E leviandade.
Há mil exemplos. Querem um?
CDHU x “Minha Casa, Minha Vida”.
Serra se diz defensor da livre iniciativa.
Mas na prática, o seu CDHU é puro Estado.
É um modelo preso à decisão de prefeituras.
E nada anda sem o “comando” do CDHU.
Com toda a sorte de intervenções estatais.
No "Minha Casa, Minha vida" as atribuições são claras:
O setor privado, livremente, faz os projetos.
A CAIXA analisa e libera os recursos.
O Governo dá isenções fiscais.
E as prefeituras reduzem o IPTU.
E por que deu tão certo?
Todos envolvidos opinaram para desenvolver o programa.
De empresários, prefeituras, a CAIXA, etc.
No CDHU, Serra não consultou empresários.
E muito menos sociedade civil.
Entenderam?
Por isso voto pela continuidade desse Governo.
Lula botou em pé o “pacto nacional produtivo”.
Nenhum político fez isso.
O resto é dor de cotovelo e preconceito.

Ah, e ia esquecendo.
Como chamava o Bolsa Família mesmo?
“Programa de incentivo à vagabundagem dos pobres”.
Em junho batemos 7% de desemprego.
O melhor índice da série histórica.
É o que os Keynesianos chamam de Pleno Emprego.
Pobre VEJA! Pobre Lago Sul, Leblon, Higienópolis,
Mangabeiras...vai faltar remédio para a azia.

25 de julho de 2010

O sexo do ciúme...

Outras do Dr. Elsimar:
o ciúme humano tem sexo e gênero.
O da mulher é pensado.
o do homem, primitivo.
O da mulher é selecionado:
machos que valham a pena.
(namorado, esposo, pai, irmão).
O do homem, ilógico:
toda mulher desejada.
Mesmo a recém conhecida!
A explicação?
No mundo animal as femeas nao têm o
menor motivo para ter ciúme.
São cobiçadissimas e escolhem o melhor.
O humano feminino é uma invenção social.
É lógico, civilizado e sofisticado.
Chega-se, até, ao ciúme do marido impotente!
Claro, não são definições exclusivas.
Mas que faz sentido, faz.

23 de julho de 2010

Nada como o manto etílico da sexta...

Essa é, disparada, a música que mais ouvi no ano.
Adoro esse cara!
Amo The Clash.
Outro dia um amigão meu, com maestria, matou a charada.
Na segunda dose de Wisky as pernas ficam inquietas.
Anger is an energy!!
E se um dia eu fizer uma tatuagem.
Vai ser essa aqui:
E fim de papo!

Vamos comer Caetano...

Sou fã radical do Caetano.
Politicamente, gosto mais do Chico.
Mas a obra do Caê é bem mais viva.
Há diferenças claras.
O Chico usa personagens nas canções.
O Caetano é leonino. Fala dele. Se desnuda.
E canta muitíssimo melhor.
E nunca se acomodou. Vive se reinventado.
Transita em outros estilos musicais.
E rompe o esquema “banquinho e violão”.
Que às vezes mata a gente de sono.
Há músicas que me influenciaram muito:
“O estrangeiro”, “Língua” e "Trem das Cores"
Ainda hoje faço revisitações felizes.
Lembro de fases. Lembro de aromas.
Ou seja, sou Caetano Veloso Futebol Clube.
Hoje li a entrevista da Paula Lavigne
no Brasil Econômico (ótimo jornal, aliás).
Admirei-o mais ainda.
Transaram a primeira vez quando ela tinha 13 anos.
Ficaram 26 anos juntos. E se separaram numa boa.
“Adoro ser qualquer coisa do Caetano. Ex, Futura.
Tudo que venha Caetano depois, está ótimo”.
Resumiu a orgulhosa ex-mulher.
Paula também foi produtora do Cê.
Disco da faixa que canta a separação deles.
Há prova maior de maturidade emocional e beleza?

"Nada, nem que a gente morra
Desmente o que agora
Chega à minha voz.."

Twittadas..

Frase do dia:
O que se aproveita da vida se ela for apenas
uma provação para a alma?
Luis Fernando Veríssimo

22 de julho de 2010

Gangorras da alma...

Nosso íntimo é barroco:
Dependência ou autonomia.
Apego ou liberdade.
Partir ou ficar.
Paradoxos centrais de nossa subjetividade.
Vias definidoras de nossa jornada.
Os altos e baixos da vida são, em via
de regra, expressões desse conflito:
Prender-se, desprender-se.
Abondonar ou encontrar.
Sair, voltar.
Eis os movimentos de tudo.

20 de julho de 2010

Filhos da Ocitocina...

Não sou determinista.
Mas me amarro em bio-explicações.
Outro dia vi um desses neurocientistas
explicando a fissura por alguém.
Primeiro, uma descarga de adrenalina
dá o tom da atração.
Mas a coisa só anda se entrar em cena a dopamina,
neurotrasmissor do bem-estar e do vício.
Compromisso, casamentos, filhos?
Só se existir alta liberação de Ocitocina.
É o hormônio que estreita os laçoes afetivos.
E o mesmo que liga o bebê a mamãe.
(hum, Dr. Freud ia gostar dessa!)
Quanto mais sexo, mais ocitocina.
E mais liga-se ao outro.
Alguns antropólogos acreditam que essa titia aí
é a grande responsável por manter pais e mães
unidos, cuidando de seus bebezinhos.
E, sem essa união, não estaríamos aqui.
Hum...vai saber...

Auto-promoções...

Ah, saí em outra reportagem especializada.
A foto, para variar, ficou ruim.
Mas a matéria até que ficou legal.

19 de julho de 2010

Andar, andar...

Andar, andar.
Por rotas inéditas.
E trilhas incertas.
5, 10, 30 mil metros.
Andar, andar.
E sair do seu centro.
Do que se conhece.
Do que se mantêm.
Há toda beleza no longe.
No que nunca se viu.
O “eu”. E o "meio”.
O outro "eu".
O presente da reinvenção!
Como ensinou, Kerouac.
“Há sempre uma estrada...
e uma circunstância criada.
Como, onde, por quê?"
Transborda beleza.
No caminho...

Auto-percepções...

Tenho problemas com fotos.
No geral fico supreso e incrédulo:
"Sério. Sou eu mesmo aí"?
Descobri outra deformidade, há pouco.
Ainda maior.
Uma amiga andou gravando vídeos.
Conversas de bar entre ammigos.
Me espantei com minha voz.
A cabeça é a caixa acústica dos ouvidos.
Sei bem.
Mas não lembrava que fosse tão diferente, a voz.
Pensei nos cantores, locutores, e afins, que se escutam.
Será que gostam? Se reconhecem?
Eu juro que não me reconheci.
Enfim. Mas gostei dos vídeos.
Até que sou "engraçadinho" nos gestuais.

16 de julho de 2010

Sobre Taxistas..

Taxistas são termômetros de qualquer cidade.
Captam como ninguém as "ondas sociais".
Outro dia um deles me reclamou o casamento:
"Há 5 anos brigo com minha mulher.
Acabou a vontade. Acabou o sexo."
Frio, exclamei: "é hora de separar, então".
"Não dá. Ela vai brigar."
"Pode ser a última briga. Já pensou?"
Fez-se o silêncio da intromissão.
No destino final, me agradeceu:
"Valeu a prosa. Tu tá certo".
Desci do carro culpado.
E reflexivo:
até que ponto vale tentar colar os
cacos de uma relação corroída?

14 de julho de 2010

Ah, esqueci...

Esqueci.
Ontem foi o dia do Rock.
E não poderia de esquecer dela:
a tradução mais perfeita de Sampa.
"Pego na guitarra e não largo até pompéia gritar:
- Muda o disco!"
Guerrilheiro,
Forasteiro,
Ôrra meu!

Hora de trocar...

Há um ano que meu celular timbra isso.
Pensei em mudar para isso.
Mas vou disso aqui, mesmo.
É que tem muita energia por aqui.
Corpo a dentro...

13 de julho de 2010

Santo Remédio..

Há um remédio infalível.
Não é Aspirina.
Nem Valium.
Nao é Buscopan.
Nem Mescalina.
Tampouco Cataflan.
Ou Sidenafil.
"Oito horas".
Eis o nome.
De sono.
E ineterrupto.
E no escuro. Do escuro.
Cura absolutamente tudo.
Sono e bom humor se casam
como queijo e goiabada.

10 de julho de 2010

Conectar-se às pessoas...

Amanhã tem Holanda e Espanhã.
Vincent Van Gogh e Picasso.
¨A noite estrelada¨ e ¨Guernica¨.
Um morreu na miséria.
O outro bem sucedido.
Um habitava um mundo estranho.
E repelia as pessoas.
O outro era um imã social.
Várias amantes, extrema carisma e 1,60 de altura.
Ambos foram brilhantes. E gênios.
Quem viveu melhor?
Difícil dizer....
Realmente é fundamental se conectar às pessoas?

7 de julho de 2010

Nostalgia matusquela...

Somos todos descendentes de obesos.
Quem não estocou banha não ficou para contar história.
Foi varrido do "pool" genético.
O nosso cérebro ainda é primitivo.
Dá ordens autoritárias: comer e poupar energia.
Como os outros animais ainda fazem.
(aliás, alguém já viu jacaré fazendo "spinning"!?)
O fato é que a escassez de antes, forjou o hoje:
comemos muito mais do que precisamos.
E amamos ir da mesa farta para o sofá.
Tudo isso para dizer o seguinte: em tempos atuais,
é preciso uma disciplina militar para manter o peso.
Lembro que até os 22 anos eu era um "vara-pau".
Comia o "mundo" e não engordava um grama.
Nós últimos 10 anos, oscilei entre 84 e 88 quilos.
A custa de uma discplina, digamos, moderada.
Mas a cada dia que passa, menos tenho que comer.
E mais esforço tenho que fazer.
No fundo, no fundo.
Morro de saudades dos meus tempos de matusquela!

6 de julho de 2010

Bons vizinhos..

Um grande amigo me cutucou outro dia com razão.
Não faz sentido essa "picuinha futebolística" contra a Argentina.
É de uma burrice cultural sem precedentes!
Buenos Aires, umas das cidades mais lindas do globo, hoje é invadida por brasileiros.
Por lá veneram e adoram o Brasil e os brasileiros.
Nas outras províncias não é diferente.
Há cordialidade de sobra e nossa visita é motivo de muito orgulho para eles.
(Será que aqui é assim?)
Aliás, alguém já foi trapaceado por algum argentino?
Ou, tem algum motivo especial para tanta birra?
Sinceramente, é uma baita idiotice nosso tratamento, que, frisa-se, não é recíproco.
O povo é amável, e o país é um parceiro cultural de valor inestimável.
Portanto, vacinem-se contra esse sentimento ridículo.
E libertem-se do tosco domínio cultural da Globo, Veja, Folha, etc...
E do patriostismo chinfrim!!

4 de julho de 2010

"Loki" e a fómula ideal do casamento...

Assisti ao "Loki", documetário sobre o Arnaldo Batista.
Aí disparei a vasculhar no youtube coisas dos Mutantes,
entrevistas da Rita, e o excepcional som dos irmãos da Pompéia.
(que deve ser o bairro mais Rock and Roll do Brasil!).
A relação entre eles é a típica relação entre paulistanos.
Daria um livro sobre "sociologia das pessoas da Zona Oeste".
Entre muitas coisas interessantes, vi a Rita Lee abrindo o segredo
para durar tanto o relacionamento com Roberto de Carvalho:
"É assim. Cada um tem seu quarto. Um dia ele me canta para
dormir no meu. No outro, sou eu. E tem dias que cada um
fica na sua! É perfeito!".
Sinceramente: achei a fórmula magistral.
Quem vive ou já viveu, sabe disso!

Noel e Ceci...

Assiti ao filme "Noel, o poeta da Vila".
Adorei! O samba sempre me emociona.
E foi interessante captar a geografia da coisa.
Noel era de classe média, como Vila Isabel.
E sofria resistência de bairros mais tradicionais
do samba, conforme fica claro em Palpite Infeliz:
"Salve Estácio, Salgueiro e Mangueira,
Oswaldo Cruz e Matriz. Que sempre souberam muito bem,
Que a vila não quer abafar ninguém
Só quer mostrar que faz samba também"
Noel ganhou respeito e se impôs "poeticamente".
Sua história é linda e radicalmente boêmia.
Morreu aos 28 anos, deixando um legado de mais de 250 canções.
Mas o mais comovente foi seu amor por Ceci, dançarina de Cabaré.
Seu samba final em homenagem à sua "dama" é uma das coisas mais liindas
da música brasileira.

Ainda mais burro...

Agora Roberto Piva que se foi.
O mundo ficará ainda mais burro.
E, o pior, menos surreal.
"Paranoia" é obrigatório aos paulistanos.
A capital em poemas malditos, num beatnikismo brazuca.
Proclamava a não-aceitação dos valores da sociedade e ia além:
Destruia simbolicamente o mundo, sem deixar pedra sobre pedra!
De Piva ouvi umas das mais lindas frases, de Hölderlin:
"Há campo para todos. Caminhos não marcados a ninguém".

2 de julho de 2010

Se eu fosse..

Não tenho dúvida.
Se fosse adotar um estilo de vida não-convencional.
Seria radicalmente boêmio.
Como o deus Serge Gainsbourg.
E procuraria minha Jane Birkin!
Outro dia fiquei sabendo que
no seu túmulo ainda colocam
cigarros Gauloises e Gitanes.
E garrafas de Chivas.
É o máximo! Do máximo!!

O Império das casualidades...

O futebol é como a vida.
Pleno em casualidades.
Um lance e tudo se altera:
heróis viram réus.
De caminhos desviados.
Incrível como se perde tempo,
para justificar o curso das coisas.
E domar o imponderável:
fracassos e vitórias.
Sucessos e derrotas.
Filhos bastardos de categorias inventadas.
Superaremos o manequeísmo um dia.
Superaremos....