24 de junho de 2015

Você S/A, o medo como afeto central da vida.

Obviedade dizer que a vida em sociedade é cheia de riscos; acidentes, desastres naturais, doenças, guerras, violências de qualquer espécie, etc. E me arriscaria dizer que nossa experiencia de risco muda muito pouco historicamente. Ou seja, a vida de hoje não é mais insegura do que a vida de ontem. O que muda, provavelmente, é nossa sensibilidade ao risco. Sobretudo se admitimos que o medo é o afeto central no modelo atual que vivemos, porque estamos fartamente inseridos num jogo duplo de incitar o desejo e de repercutir o medo -  lembramos o tempo todo que estamos numa situação de risco, contamos sempre as mesmas histórias assombrosas e trágicas, etc e etc.
Indagaria também o tipo de lógica psíquica que deriva desse modelo: o medo do fracasso.
Somos pedagogicamente orientados a nos comportarmos como uma empresa, a "Eu S/A".
Nossos ideias de conduta apontam para um empresariamento de si mesmo: nossas qualidades são vistas como "capital humano", nossas emoções como "inteligencia emocional", tudo sob uma forma-empresa de "investir" em nós mesmos e esperar seu devido "retorno", E cair nas ruínas se isso não acontecer!
Enfim,indagaria, se isso for verdade, se a principal função dessa grande "fantasia social" não seria limitar nossa capacidade de produzir afetos. De se mover, de transformar.
E, fundamentalmente, de permitir a troca desse pano musical de fundo......a renúncia!