29 de abril de 2010

Nóis Samba pra Cachorro..

Vivo discutindo por aqui.
Dizem que não existe samba paulista.
Bobagem.
Onde nasceu o samba? Rio? Bahia?
Nos anos 20 já havia o Samba de Pirapora.
É só perguntar para o Mário de Andrade.
Homenagearam o Adoniran no Ibira domingo.
Dizem que até o Ernesto apareceu.
Chorei. Saudades brutal de Sampa.
E voltei a escutar Geraldo Filme.
E muito.
Sambista antes ia em cana.
Dá pra acreditar?
No Largo da Banana, Barra Funda e Corrego da Saracura.
Onde virou o Vai-vai.
Só escuto o Geraldo Filme.
Saudades de Sampa...

"Eu era menino
Mamãe disse: vamos embora
Você vai ser batizado
No samba de Pirapora"


"Quem nunca viu o samba amanhecer
vai no Bexiga pra ver, vai no Bexiga pra ver"


"Eu vou mostrar, eu vou mostrar, que o povo
paulista também sabe sambar.
Somos paulistas e sambamos pra cachorro.
Pra ser sambista não precisa ser do morro."

Extra, Extra...

Time” informa:
Lula é um dos líderes mais influentes do mundo.
Ixi!! Vai faltar remédio para azia em Higienópolis, Leblon,
Mangabeiras, Lago Sul...

27 de abril de 2010

Dúvida ciber-existencial....

É ético o uso da cópia oculta?
É ético conversar com um(ns), contando para outro(s),
sem que o(s) primeiro(s) saiba(m)?
Sinceramente, não sei.
Ser copiado é uma beleza. Já o contrário...

Terapia anti-zen....

Descobri uma coisa infalível. To adorando.
Quando estou muito zen, vou ao Big Box.
É batata! Cura na hora o excesso de calma.
É um mercado aqui de Brasília. Há em toda parte.
Uma maravilha. Um ícone da funcionalidade moderna:
Dois carrinhos não cabem no mesmo corredor.
Há mais caixas ociosos do que funcionando.
O preço do sistema em geral é mais caro.
As máquinas pifam nos dias pares.
As filas lembram o INAMPS.
E sempre há meia dúzia de funcionários desocupados,
na parte externa, conversando alegremente sobre a vida.
É um barato! Terapia anti-zen total.
A turma daqui não liga, reclamar é meio cafona.
Eu sou chato. E Paulista. E meio cafona....

26 de abril de 2010

À Deriva....

Assisti, enfim, o filme “À Deriva”, do Heitor Dhalia (o mesmo do “Cheiro do Ralo”)
Tornei-me amigo (conhecido, melhor dizendo) do diretor, por essas circunstâncias da vida.
Não sei falar sobre filmes.
Limito-me a três categorias: “gostei”, “gostei bastante” ou “não gostei”.
Nesse caso, “gostei bastante”.
O filme me atraiu por dois motivos.
O drama da protagonista que está saindo da infância.
E a alternância radical dos planos.
Ora bem fechados (busca da intimidade dos personagens).
Ora bem abertos (o “mar da vida”).
E do filme ficou uma questão, que não sei se viverei:
a mais delicada experiência do universo masculino deva
ser o “desabrochar sexual” da própria filha.
Uma mistura de comoção fraternal.
Com complexidade afetiva.

25 de abril de 2010

Ter, representar e ser..

Momento filosófico.
Hora de meditar o que se custa por em prática.
Lições de Schopenhauer:
1)Ter: a riqueza é como a água do mar. Quando mais bebemos, mais sede sentimos.
Os bens nos dominam. Não o contrário.
2)Representar: a reputação é tão efêmera quanto a riqueza material.
Opiniões de terceiros são fantasiosas e mudam a todo momento. Escravizam.
3)Ser: O que importa é ter boa saúde e riqueza intelectual.
Não são as coisas que nos pertubam, e sim nossa interpretação das coisas.
Em outras palavras: nossa qualidade de vida é determinada pelo modo como interpretamos nossas experiências, e não as próprias experiências.

Esse é o tema central para a escola do estoicismo.

Quando se ganha o dia...

Os dias estão lindos em Brasília.
Cedinho fui nadar.
Na saída da piscina uma Dona me abordou:
"Menino, que horas tem?"
"Menino"?
Ganhei o dia.

23 de abril de 2010

A primeira vez a gente não esquece....

Não votarei no Lula para presidente. Será a primeira vez.
Votaria 1.000 vezes no Lula. Embora o poder deva alternar.
Mas ninguém o substitui. Nem de longe.
Em simbologia. Em boa política. Em visão do país.
A elite torce o nariz. Por “cegueira”. Por despeito.
Por preconceito.
A elite só vive em cubinho. E no clubinho, só fala com gente do clubinho.
E só entende de temas do clubinho.
A sagacidade de Lula está no que a elite não entende.
Faz luz quando interesses se chocam.
Negocia. Media. Faz do limão, limonadas.
E governa. Quando tem que governar.
Quem fala 10 línguas tem preguiça.
Fica ensimesmado em inúteis erudições.
Repararam? O cara tem 90% de aprovação e continua
trabalhando. Poderia ficar só “tocando a bola” de lado,
e virar um novo Pelé. Mas não. Segue se arriscando.
E fez o que não se fazia.
A elite não o entende.
Só de clubinhos.

Leituras e fofocas...

Retomei o hábito de ler na folga do almoço.
Achei um bom lugar. Arejado e tranqüilo.
E ainda consigo esticar as pernas.
To adorando. Virou um novo prazer.
É mais produtivo. Falar de trabalho cansa.
Porque não se fala só dele.
E sim de toda sua órbita humana.
Há sempre companhia no espaço.
Meninas de uma empresa de 0-800.
Falam da vida dos outros.
E como falam.
O tempo inteiro:
"Fabiana fugiu prenha para Bahia”.
“Marcela flagrou o marido”.
“Joana tá gorda demais”.
As mulheres vão tomar o poder.
O mundo melhorará.
Mas deviam fofocar menos.

22 de abril de 2010

"Outros outonos virão, outras manhãs....plenas de sol e de luz"

Eu amo o outono. De longe a melhor estação. Há explicações.
Nubla pouco. Quase não chove. O calor amolece.
Alterna-se, na jornada do dia, céu azul e noite estrelada.
Mas bom mesmo é o excesso de luz.
Determina o humor. Deixa a gente feliz.
Sei lá...a luminosidade do azul acaricia o sistema visual.
E aumenta a probabilidade de insights. Será?

O triangulo de kanizsa.


“Não se vê o que se vê”. A percepção é produto da mente, não dos olhos.
A mente interpreta. Dá sentido às imagens. Impõe o que não existe.
O que se destaca? PAC-MANs? Um triângulo branco?
A dominância ilustra a tendência de ver o que é mais familiar.
O que a mente quer que se veja.
Fosse a onda do Atari primordial, perceberíamos diferente.
Saio com essa:
A chave para epifanias é enxergar coisas que não são vistas.

“A verdadeira viagem do descobrimento não está em buscar novos panoramas,
Mas enxergar com novos olhos”. Marceul Proust

20 de abril de 2010

Eduardices Galeanas...

Frase do ano: "Em vez de dar um peixe, ensine a pescar. Mas o que acontece se o rio tem dono?"

As garotas de programa do Sudoeste...

O Sudoeste é o bairro preferido (por falta de opção) dos que desembarcam para viver em Brasília. Se você é jovem e acabou de chegar na capital, é quase certo que vai parar no “Sudoca”.
Vai viver, como eu, apinhado em prédios de “apertamentos” de 25 m2.
No começo estranha-se muito. Mora-se como no Japão. Vive-se como uma sardinha em lata. E o bairro, a céu aberto, parece uma grande “Legolândia”.
Um monte de prédios como aqueles do litoral sul de Sampa, com tijolinhos coloridos e abomináveis. Depois, adapta-se. O costume vira adoração. Há vida noturna interessante, intensa vitalidade e um mosaico humano dos mais variados.
É um bairro pacato com gente de todo canto do país. Com uma sensação de segurança que os moradores do Rio e de Sampa nunca conheceram.
Onde vivo, por exemplo, moram muitas garotas de programa. É uma convivência pacífica e riquíssima. A maioria são meninas de Goiás que buscam trabalho honesto se valendo da alta renda per capita masculina do plano piloto.
De manhã estão na academia do prédio dentro da normalidade de qualquer morador. A noite saem “vestidas para matar” , e cruzam os espaços sob os olhares “quase constrangidos”, embora animados, dos moradores. Eu me divirto ao máximo. Adoro essas contradições sociais. Outro dia estávamos eu, um juiz, uma advogada da União e a Garota de Programa mais gostosa do prédio na academia. Como era o único amigo comum de todos, tentei estabelecer uma conversa coletiva colhendo os palpites sobre o ganhador do BBB10. Foi um malabarismo verbal imenso (para quem me conhece) para manter a conversa viva.
O Brasil é maravilhoso sob alguns aspectos, mas ainda há um forte preconceito social generalizado. Essas experiências reforçaram minha convicção que a prostituição é uma profissão como outra qualquer, e deveria ser legalizada como na Alemanha.
Parem para pensar: existe grande diferença em quem vende sua força física-mecânica para operar uma máquina ou satisfazer alguém?
Sério. Sou amigo das Garotas de Programa do meu prédio, e elas tem uma vida absolutamente normal (mesmo dentro dos padrões convencionais).

19 de abril de 2010

De frente para o Sol..

Gostei muito da citação no livro do Irvin Yalom: "A mãe de todas as religiões é a angústia da morte". O livro é de uma delicadeza ímpar, e muito confortante para não religiosos assumidos, como eu, ao abordar esse tema tão agudo e sensível. A explicação do "supremo nada da morte" de Epícuro é formidável. Incrível saber que esses filósofos helenísticos, trezentos anos antes de Cristo, tinham uma compreensão tão profunda de tudo. Levo cada vez mais a sério o lema "mais Epícuro e menos Rivotril".
Entre umas páginas e outras do livro, saí com essa pérola matemática: "o homem é função de sua energia". Em breve explicarei melhor essa idéia.

Iconoclastias..

Nosso cérebro gera 40 W de potência. Dá para acender uma lâmpada. Foi moldado para ser econômico. E eficiente. Quanto mais tempo for gasto para fazer um cálculo ou um pensamento novo e complexo, mais energia consome. Em nome da eficiência, usa "atallhos" para perceber o mundo. Usa os olhos, os ouvidos e acredita no que as gerações repetem. Precisa poupar energia. Baseia-se em informações passadas e em experiências de outros. É avesso a "novas" verdades. Responder negativamente ao novo é uma "armadilha" dessa eficiência. Romper é gastar energia. A verdadedeira inconoclastia (destruir ícones) nasce de um cérebro ineficiente, nesses termos, e de uma resposta positiva ao medo. Os iconoclastas veem as coisas de forma diferente porque não se deixam aprisionar por essas armadilhas. Já se perguntaram? O que seria da humaninidade sem os iconoclastas??

15 de abril de 2010

Strummer....

Já estamos em abril. O ano corre. Começou no Uruguai. Começou com céu azul, chivas 12 anos, latinidades e mudanças de perspectivas. O ano corre. Mudam músicas. Energias alteradas. Mas fica esse martelo chamado Joe Strummer. Não consigo parar de ouvir. O punk tem um ingrediente eterno em mim. É o recuperar uma raiva de bairro. Uma estranheza a tudo. Uma desarmonia permanente. King of the Bayou. Mescaleros. A XV brigada na voz de Joe. O ano corre. Nesse rítmo? Nesse velho rítmo?

Epicurismo...

Preciso ler. E muito. Necessidade física. Os livros trazem novas idéias. Depois jorram. Viram palavras ditas. Mal ditas. Bem ditas. Soltas, perdidas, ordenadas.....
É preciso outros ângulos. Outras dimensões.
Voltarei a ler muito. Ir ao encontro de eus que não conheço...

Ato de inauguração...

Enfim, um blog.
Um diário.
A frequência, não sei.
O intuito é ser rápido.
Registar sínteses.
Pensamentos residuais.
Idéias dispersas.
Frases borboletas.
Tenho 35 anos.
Algo devo dizer.
Vamos ver no que dá.
Adoro novas fases da vida.
Meu lado mulher.
Um troço com ciclos....