29 de maio de 2015

O homem sem gravidade......


Saí “marcado” após a leitura do "Homem sem Gravidade", de Charles Melman.
Nunca tinha parado pra pensar no que ele propõe: a existência de uma “nova economia psíquica”,
advinda do modelo cultural o qual estamos inseridos: a vitória do mercado (pensamos
como consumidores), famílias desverticalizadas (perda considerável da ordem paterna), novas formas de comunicação, celebração do gozo coletivo (culto ao corpo, clubes de Hobbies, etc.), etc.
Pra Melman a mídia e a publicidade substituíram as fontes de sabedoria de outrora (grandes textos, tradição) e o resultado seria um indivíduo manipulável.  Não é mais possível hoje abrir uma revista, visitar um site, admirar heróis e personagens de nossa sociedade sem que eles estejam marcados pelo estado específico de uma exibição de gozo.  E isso implica deveres radicalmente novos, impossibilidades, dificuldades e, sobretudo, sofrimentos diferentes.
Isso porque há uma formidável liberdade, mas ela é estéril para o pensamento, porque o pensamento seria comandado por um ideal, por querer superar obstáculos, e como não os há, não sabemos o que há para pensar. A síntese dessa nova economia psíquica seria um sujeito que não é mais dividido, que não é mais preso a uma dívida simbólica e abastecido de referências. Esse novo sujeito estaria "desalojado" e sempre necessitando da confirmação externa para o próxima passo. 
Ou seja, viria ai um mundo com menos neuróticos (o recalque/ bloqueios deixam de existir) e mais depressivos (eu posso e sou livre para tudo mas não dou conta disso).
Esperar pra ver!