14 de outubro de 2010

Início e fim..

Engraçado isso.
O olhar das artes.
Sobre relacionamentos.
Cinema, novela, literatura, etc.
Costumam:
Ora glamorizar o início.
O despertar da paixão.
Aquele "seu melhor" que
se entrega quando amamos.
Ora espetacularizar o fim.
A tragédia da desilusão afetiva.
Os destroços da relação doentia.
O rancor e a ruptura eterna.
Mas e o meio?
E o tédio do dia-a-dia?
Os dias normais?
As segundas-feiras?
O feijão com arroz do amor?
E o meio?
Esse tempo maior.
O durar dos anos.
O enrrugar das peles.
A decadência física.
O elo construído.
No fundo.
Nós.
Humanos.
Adoramos exageros.

4 comentários:

  1. Umberto, somos intensos, os humanos.
    O médio não nos basta.
    Ainda bem.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Ah, mas certamente há os que se bastam no "Amor Feinho", já leu, de Adélia Prado? Então vai de brinde pra vc!

    "Eu quero amor feinho.
    Amor feinho não olha um pro outro.
    Uma vez encontrado, é igual fé,
    não teologa mais.
    Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo
    e filhos tem os quantos haja.
    Tudo que não fala, faz.
    Planta beijo de três cores ao redor da casa
    e saudade roxa e branca,
    da comum e da dobrada.
    Amor feinho é bom porque não fica velho.
    Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
    eu sou homem você é mulher.
    Amor feinho não tem ilusão,
    o que ele tem é esperança:
    eu quero amor feinho."
    Beijos, sumido.

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  4. Lindo poema, Nat.
    Você.
    Certeira, como sempre.

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