8 de janeiro de 2015

O objeto amado ao alcance da mão.......

Escutei de uma amiga psicanalista que o grupo mais difícil de tratar são os viciados em droga.
É um tema complexo dado que, bem diferente da paixão humana, cuja pessoa amada exige algum esforço, a droga representa o objeto amado ao alcance da mão. E tal facilidade de desejo é muito difícil de lidar!
Inferi que grupos como Alcoólicos ou Narcóticos Anônimos às vezes têm mais sucesso no tratamento porque, além de serem grupos de mútua-ajuda (ao saber que não estou sozinho nesse inferno já consigo alguma melhora)  há todo um receituário de provações que, no fundo, mantêm a relação de afeto com a droga e com o "objeto amado". Exemplo: tenho que admitir que sou um dependente eterno!
É curioso isso, a pessoa não para de beber. Ela "não bebe" todo dia, o que é um pouco diferente. 
Ou seja, o tema está ali, o objeto amado está ali, sendo "vigiado" a todo tempo, contando cada dia superado, de forma apaixonada e obsessiva.
Claro, é um tema muito sensível e de sofrimento a muitas famílias,  Mas lembro que há mais de 12 anos quando parei de fumar (e sim, eu era bem viciado) usei um gatilho certeiro que serviu de total apoio psicológico para meu êxito. 
Desviei meu foco de resistência não paro o cigarro, e sim pra "escravidão" que dele emanava.
Não queria mais depender de um cigarro para ir ao banheiro, para atender ao telefone, para escrever um texto, para depois do café e do sexo. Disse para mim que o problema não era o cigarro e sim seu aprisionamento, que passei a ter plena convicção que jamais o admitiria.
Enfim, foi com a ideia de que, no limite eu eventualmente poderia fumar, mas jamais voltaria à escravidão, que me desvencilhei do objeto amado e, sinceramente, o esqueci.

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