14 de novembro de 2014

A confusão do mundo atual....

Um traço inequívoco da modernidade é a diminuição do papel das tradições. Ou seja, se antes o lugar, a classe e o ambiente social os quais eu pertencia orientavam minhas ações, no mundo moderno esse pilar é totalmente desestabilizado. Consequência? Aumento brutal da responsabilidade do sujeito diante de suas escolhas, a reboque de uma noção de pertencimento aflita e frágil . 
Curioso que tal fenômeno cria um efeito no qual estamos permanentemente carentes e em busca de elementos que orientem nossas ações. Isso explica em parte a ansiedade coletiva, e a sede por parâmetros que justificam os atos de antes e depois.
Nesse ponto, também curioso, operam no mesmo campo as religiões, os livros de auto-ajuda, a psicanálise, os sistemas de especialização profissional, etc. Mais ou menos sofisticados, tais sistemas servem para legitimar e monitorar o que fazemos.
Exemplo, uma jovem de qualquer cidade do mundo pode ir à banca de jornal comprar a revista da semana que lhe dê dicas de como escolher o namorado perfeito (auto-ajuda).  Um adulto belo fisicamente pode trocar sua esposa por uma jovem bem mais bela (excessiva importância do físico). Um advogado que defende grandes empresas porque o salário é melhor (especialização), etc. 
Reflexibilidade é o nome do jogo: penso, ajo, monitoro e justifico minhas ações. Penso, ajo, monitoro e justifico minhas ações!
E a moral da história? São exatamente os parâmetros que utilizo, que escolho, que podem trazer à tona, ou não, valores mais edificantes no interior da nossa vida psíquica e emocional.

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