6 de abril de 2017

É preciso o mundo desabar......

 
É muito comum sofrermos pelo o que não aconteceu. Como também, desconsideramos o que é parido no ato de sofrer. De uma certa maneira, há um momento em que a consciência precisa se angustiar. Com o propósito de redimensionar a experiência da vida. Um estágio que marque o desabamento de imagens de um mundo, e o erguimento de outro, que permita novas ações, desejos e movimentos. Eis o caráter ambivalente dos afetos. O desamparo que me angustia, pode ser o motor de uma reinvenção.
Freud vai nos lembrar que nossa primeira angústia fundante é a ausência da mãe. E dialogaremos com esse desamparo, revestido em novos fantasmas, por durante toda uma vida.
E assim seguiremos  nesse sujeito inseguro e neurótico que vai constituir substitutos ("outras mães"), que garantam nossa integridade narcísica, nossa demanda de amor e, sobretudo, nossa fantasia de sermos únicos e maravilhosos. Ou seja, seremos eternamente escravos a procura de um Senhor que nos diga o que fazer e, principalmente, que confirme que o fazemos é incrível, retornando ao estado de perfeição do "bebê majestade" que um dia fomos. Friso que é bem essa a posição neurótica que assumimos, de perguntar ao grande Outro (pessoas ou um outro simbolicamente constituído) "o que devo fazer" e depois cobrar ansiosamente a esse Outro a confirmação que o que eu fiz é sensacional.  Nesse contexto, uma travessia analítica útil cumpriria um percurso radical, de "desabar desse mundo".  De ter a angústia como porta de entrada, e na saída a liberdade de não estar submetida a um Outro imaginário que me escraviza!

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