14 de janeiro de 2014

A batalha da dominação de qualquer casal.....



Adoro obras que provocam qualquer tipo de conservadorismo, declarado ou velado.  Nesse contexto, o diretor franco-tunisiano Abdellatif Kechiche acerta em cheio com seu maravilhoso “Azul é cor mais quente”.
O diretor explora com muita densidade afetiva a passagem da adolescência à vida adulta de Adèle (Adèle Exarchopoulos) que, como qualquer jovem, sai experimentando e especulando tudo que está ou virá à sua frente: sexo, música, livros, manifestações, profissão, preferências estéticas, etc.
Aí a trama pega fogo quando Adèle conhece Emma (Léa Seydoux), que passa a ser seu porto-seguro e referência para todos esses temas.
O filme apesar de ter 3 horas de duração não desperta nenhuma vontade de dar aquela olhadinha no celular pra ver quanto tempo que falta, ou se distrair com o “mundo lá fora”. Ao contrário, a história é muito bonita e excitante, e as atrizes se entregam de forma tão impressionante que o resultado é fenomenal.
O relacionamento de Emma e Adèle é tão visceral, e ao mesmo tempo cheio de amor, que se instaura um tipo de pornografia do afeto, cada vez mais urgente em uma sociedade no qual o conservadorismo reprime desejos incontroláveis com falsos moralismos.
Em verdade, o relacionamento de Adèle e Emma é mostrado de forma muito delicada e inteligente. Mostra a força do amor, seja para construir, seja para destruir, o que é natural nos relacionamentos a dois.
Em especial um fato me marcou: Emma vive a intelectual e a “mente aberta” do casal, vive de uma carreira artística, rodeada de intelectuais e gays militantes, enquanto Adèle é a “força da natureza”; intuitiva, sensual e com pretensões mais mundanas e singelas. E vem exatamente de Emma a reação mais violenta e inflexível quando acontece uma pequena e desimportante traição. O que deixa pistas que, não importa o gênero dos relacionamentos, há sempre uma batalha de dominação, invisível ou não, sendo travada em qualquer casal.

Um comentário:

  1. com certeza, mas a maior batalha mesmo é a autodominação, que a dois se torna quase impossível

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