20 de julho de 2015

Se eu sou eu porque você é você, nem eu sou eu e nem você é você....



Adoro essa reflexão Chassídica: "Se eu sou eu porque você é você, e se você é você porque eu sou eu, nem eu sou eu e nem você é você. Mas se eu sou eu porque eu sou eu, e você é você porque você é você, então eu sou eu e você é você e ai podemos conversar".
Desvendando a ideia acima: se eu sou eu porque você é você minha identidade só aparece na comparação. Fato que promove "não-diálogos" fruto dessa insegurança de identidade; já que para um diálogo de fato não importa se há discórdia, é apenas fundamental que se fale de um lugar de segurança, de crença, de visão
Freud nos ensinava que em nossos afetos primordiais o mal é percebido sempre fora da gente: fora da relação mãe/eu bebê, fora da minha família, bairro, cidade, religião, cor, país, etc.
Nesse contexto, é uma tarefa permanente e vigilante educar nossa interação não colocando o outro como uma ameaça, o que bloqueia encontros e diálogos de fato. Ou seja, é de se refletir o quanto perdemos colocando o outro como uma fronteira que nos demarca.
Tal característica é fácil notar quando repetimos com boa intenção, sem nos darmos conta, a necessidade de se "tolerar as diferenças" indicando um comportamento politicamente correto. Ora bolas, não se trata de tolerar (aguentar o outro!), e sim de aceitar o fato, de fato, que as diferenças são inerentes ao mundo e isso é o fantástico na vida.
Como também vale refletir que não é possível dialogar com qualquer pessoa sem, sobretudo, acolher sua fala, acolher o que se tem espontaneamente pra dizer, e o que provavelmente será estranho a nós.
Dificilmente melhoraremos nossa sociedade se não ultrapassarmos o "eu tenho razão" pra chegar numa escuta desarmada, dispositivo simples que evitaria grande parte de nossos conflitos internos e externos. Mas, como bem sabemos, fazer o simples sempre é mais complexo....

4 comentários:

  1. Li o texto, e concordo com as reflexão apresentadas. Fiquei com o verbo aceitar na mente em vez de tolerar!

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  2. Aceitar/tolerar o outro é um ato de coragem.
    No caso de "eu sou eu pq você é você", só consigo ver "chantagem".

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  3. A meu ver, se eu sou Só porque você me considera, então eu sou um nada , mesmo q você me considere. Mas se eu sou eu, porque faço um esforço para contribuir de forma significativa a o mundo ao meu redor então eu tenho um valor real, independentemente de outros me reconhecerem ou não.

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