24 de julho de 2015

A nossa mais difícil travessia.....



Outro dia lembrei de um amigo de infância que me apavorava. Não raro ele chegava na escola com as costas marcadas após violentas surras que levava do pai. Era uma imagem tétrica pra mim, e totalmente dissociada do amor que eu encontrava em casa. Fato que me fazia sofrer bastante.
Óbvio que tal vida infernal o tornara uma criança muito agressiva e indisciplinada. Mas em raros momentos aparecia seu "lado bom", como quando me confessou, em prantos, que seu pai se referia sempre a ele como "um problema na sua vida".
Hoje é fácil entender. Como ele podia se apresentar ao mundo, então? Obediente ao pai!  Agia como um problema não só na vida do pai, mas um problema em qualquer lugar e em qualquer situação.
O ponto é que, como no exemplo, todos somos colocados "num lugar" pelo desejo do outro. E lá podemos ficar por anos, acumulando mágoas e conflitos internos. Nosso maior desafio, e as terapias da fala ajudam muito, é literalmente "desmontar" esse lugar que ocupamos fruto de uma narrativa mítica do "eu que se alienou" e ficou aprisionado.
A narrativa de si, a repetição da fala e os lapsos desse mito interno que vão aparecendo ajudam a colidir essa "estrutura bruta" fantasmática, desalojando-nos numa travessia "daquele lugar" para outro. De um lugar da angústia para, quem sabe, um lugar de surpreendente empolgação....  

3 comentários:

  1. Adorei o texto.
    Acredito que estes personagens de nós, criados pela ótica dos outros, são a maior fonte de limitação que temos. Desconstruí-los é libertador e nos impulsiona rumo aos nossos sonhos.

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  2. Adorei seu comentário, Virginia. É por ai mesmo.....

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  3. Exatamente isso, buscar encontrar sua individualidade.
    Quando o ser humano começar a conhecer seu mundo interno, dominar seus pensamentos, selecionando somente os úteis para habitarem sua mente, será o começo de sua liberdade, rumo a tomar as rédeas de sua própria vida.
    ��

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