8 de abril de 2015

O pensamento está no dedão do pé......



Freud dizia que a agressividade é um afeto primordial, forjado na busca de segurança diante do "grande outro" (o mundo externo). Nossa ideia de mal é germinada dai; está fora de nós, fora da família, fora do vilarejo, etc. Com os processos de incursão social e cultural essas ameaças são racionalizadas, contornadas, mas esse afeto primordial sempre é retomado, e tem chande de aparecer nos termos da intolerância como as que tristemente assistimos no passado e hoje. O ponto é, a agressividade nunca desaparece (aliás, se desaparecesse levaria o "amor" junto) , mas poderia ser "manuseada" para bons propósitos e, sobretudo, obedecendo padrões essenciais de convivência.  
Da mesma forma, se a racionalização serve para compreender o mundo e (con) formar o indivíduo às possibilidades, ela pode inibir e "imobilizar" o sujeito parido numa gestão de risco ultra defensiva.
Lacan certo dia brincou com essa ideia numa conferência no EUA dizendo que o pensamento se dava no "dedão do pé". Boa metáfora para dizer que o pensamento deve afetar o corpo! Deve mover o indivíduo, e não servir de escudo para excessiva aversão ao risco (falsa sensação de segurança na medida em que pagarei à frente por não reconhecer desejos) e a narcisismos invisíveis de toda ordem
(eu posso mas não faço!).

2 comentários:

  1. Texto instigante. Parabéns! Acredito que a agressividade é o mais natural e primário dos sentimentos humanos.

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  2. De fato aversão ao risco é algo que torna a vida morna. Viver é correr risco, e eu diria que o tal risco é o que dá "frio na barriga" e nos faz ter certeza de que SIM estamos vivos. E viva os desejos e a coragem'

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