26 de maio de 2017

A palavra que marca o corpo......sobre pais e filhos!


 
Não é necessário fazer análise para entender o poder da linguagem (simbólico) no imaginário, e sua repercussão no corpo (sintomas). Gosto de dar o seguinte exemplo prosaico: imagine uma criança vigiada pelos pais em um ambiente público. Com a possibilidade de explorar um mundo diferente dos seus domínios, a criança se aventura e testa o que lhe é permitido fazer. E, sabemos, há pais mais ou menos permissivos, servindo como autoridade (a lei) para intermediar os limites dos filhos. Ou seja, há a experiência infantil, sempre útil, e uma intermediação dos pais, legisladores dos atos das crianças. O fato é que se essa mesma criança testar a autoridade dos pais, como por exemplo uma restrição de "não trepar na cadeira", e se der mal e cair, sua resposta afetiva (chorar ou não) e a intensidade da dor estarão proporcionalmente vinculados à reação dos pais. Numa escala oposta, eles podem dizer de um agressivo "Bem-feito, eu avisei sua peste!" e um "Não foi nada meu anjo, vai passar", cujo resultado serão sentimentos e dores de intensidade bastante diferentes. Daí não é difícil supor como as palavras "atravessam" e "marcam" o corpo", numa multiplicidade de exemplos que acontecem também na vida adulta.
E é importante imaginar as consequências devastadoras para crianças cujos pais não cumpram sua função simbólica de estabelecer uma  legislação que não seja incoerente e vacilante (uma hora pode, outra hora não pode!?).

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