15 de dezembro de 2016

"Nascemos no meio e morremos no meio"


Como diria Cabral de Melo Neto, "Nascemos no meio e morremos no meio".
Somos uma obra inacabada, e sempre há algo por vir. Quando nascemos já há um projeto anterior em curso, um nome que ganhamos, uma expectativa familiar que nos responsabiliza e etc. E quando partimos, é certo que nem tudo terá sido feito. Quando Freud fala em "complexo de Édipo" é uma ideia que não pode ser tratada no atacado. É falar de uma trama familiar que nos dá acesso ao simbólico, uma passagem para a cultura, valores que vão nos inscrever no mundo afetivo à luz de fantasias de nossa própria história. Ou seja, uma forma inescapável de nos situarmos no mundo ancorados numa legislação interna que gera adequação, mas também conflito. Porque põe a vida em marcha a partir de uma contradição insuperável. Somos extremamente narcisistas ao mesmo tempo precisamos do outro! E resta-nos lidar com isso.
O de aceitar que o preço que se paga para ver custa menos do que para não ver! 

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