14 de janeiro de 2016

O incrível medo de falar de si......


Falamos de nós o tempo todo! Contamos fatos corriqueiros do dia-a-dia, compartilhamos dramas e indecisões com familiares e amigos, nos descrevemos a estranhos, narramos "sucessos" e "fracassos" no vai e vem de eventos super dimensionados e nos apresentamos como "produtos" cultivando o ideal empresarial do nosso tempo.
Ao mesmo tempo que fazemos tudo isso (falamos muito!), não falamos nada! Temos enorme medo de contarmos "a história da nossa vida". Ou seja, de dizer a "verdade verdadeira" (medo, traumas, lapsos, contradições entre falar e agir, impulsos agressivos, saudades, marcas de afeto, sonhos repetitivos, acontecimentos impactantes, a alteridade de algozes e heróis que são nossos pais,  etc.).
Decididamente, essa grande "falação" do dia-a-dia é operar no campo da interação, é ajustar a linguagem ao universo relacional que estamos inseridos. Não é verdadeiramente falar de si! Porque é muito diferente da honestidade (redentora, dura e aguda!) de abrirmos sem receio a ebulição que nos assola, e como nos apresentamos afetivamente diante das questões da vida.
Mas é bom saber que falar de si (dessa forma!) é necessariamente mudar o afeto sobre si!

2 comentários:

  1. A necessidade de construir um SI socialmente pleno pela linguagem já é uma patologia social. Florir-se em palavras para o autoconvencimento, muitas vezes, é um refúgio próprio dos seus maiores complexos. Não Obstante, tudo isso só aumenta o buraco e enche os consultórios dos psicólogos.

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  2. Mas é justamente a linguagem que nos faz diferente dos outros animais. Eis a condição humana! O que mostra que não há, a priori, nenhum "si pleno", ou "necessidade universal" especulável como busca. A fala clínica pode oferecer isso, um recorte singular das experiências de cada um. Mas concordo, é uma decisão individual. Procurar farmácias, divãs, grupos de auto-ajuda, etc...ou assumir uma onipotência de ser o gerente eficiente de todas coisas que nos circundam.

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