1 de setembro de 2014

A importância de narrar o mito individual......


Como diria Hegel, não existe verdade sem contexto histórico,  e portanto nenhuma definição pode ser "cravada" sem uma ancoragem na dinâmica da sociedade.
Em termos afetivos, também podemos afirmar que o padrão de sofrimento muda ao longo do tempo. Da mesma forma que sociedades repressoras do século XX geravam indivíduos histéricos (os desejos sequer  podiam ser anunciados), sociedades baseadas em modelos de alta performance multiplicam sujeitos depressivos, ordem do inconsciente  pra "parar de desejar", dada a noção de fracasso diante da lista de exigências de uma inexequível ordem de possibilidadestrabalho, amor, sexo, dinheiro, padrões de beleza, sociabilidade transmitida, reconhecimento dos outros, etc.   
A boa psicanálise ensina que só o fato de falar sobre si, falar do sofrimento, altera a qualidade do sofrimento. O que é sensacional!  Ou seja, é um meio que permite construirmos uma narrativa do nosso mito individual, uma espécie de obra "ficcional" sobre nós mesmos (a interpretação do nosso romance individual). 
Em tese,  esse mergulho seria o melhor caminho para  revelar disfarces e auto-enganos, pois na qualidade de observadores, como diretores do nosso cinema particular, daríamos mais sentido à nossa trajetória. Seria como se esvaziar de julgamentos das próprias questões antes de consolidar o novo eu.  Poeticamente: desvelar o sentir e o desejar que nos martelam diuturnamente! 

Foto: Hitchcock.A.1945.Spellbound

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